03 Apr 2008
Os mercados de previsão
Escrito por Cleibson Almeida   
03-Apr-2008

 Desde 1988 um grupo de economistas norte-americanos está estudando a previsão de futuros baseando-se em "mercados". O que é mais intrigante nisso tudo é que os mercados de previsão parecem funcionar melhor do que as tradicionais pesquisas estatísticas.

Sim, é isso mesmo que vocês acabaram de ler. Nas eleições norte-americanas de 1998 e 2002, os mercados de previsão mostraram-se mais eficientes do que as pesquisas em três de 4 momentos durante a campanha eleitoral.


Mas afinal, do que estamos falando?

Enquanto fazemos as tradicionais pesquisas para prever o futuro, o conceito de mercado baseia-se em investir determinada quantidade de capital em uma situação dentre as possíveis. Quando investimos em determina ação estamos ao mesmo tempo assumindo o risco de que aquela situação específica pode não ser o acontecimento futuro. É um risco assumido como os investidores da bolsa de valores.


Um dos fatos que mais chama a atenção nisso tudo é que quando investimos em mercados estamos ao mesmo tempo tomando uma decisão de acordo com a nossa crença de que aquilo vai acontecer. Isso mesmo, eu disse crença e não há dados que indiquem que esse será o verdadeiro fato.


O conceito de mercado vai contra tudo aquilo que aprendemos sobre modelos de previsão, estatística, cálculo e etc. Apesar de ser um tanto infundado, tomar uma decisão baseando-se pelo que é apresentado pelos investimentos, tem se mostrado mais eficiente do que as pesquisas na maioria das situações.


Com o avanço tecnológico e disseminação da internet, empresas como HP, GOOGLE e MICROSOFT criaram mercados internos para melhorar índices como a produtividade e qualidade de vida dos funcionários. A HP foi ainda mais além e utiliza o mercado para testar o sucesso de um novo produto e vai à contrapartida à tradicional pesquisa de mercado, que utiliza metodologias estatísticas para prever esse tipo de situação.
Veja as comparações entre pesquisa e mercado:

 

Pesquisas   Mercados de Previsão 
  • Usa uma amostra representativa;
  • Indica uma margem de erro;
  • Expressa as preferências do eleitor por um candidato em particular no dia da eleição;
  • Tem fundamento e explicacões ciêntificas para explicar o que está acontecendo.

  • Aceita qualquer um que queira investir;
  • Apóia-se apenas na flutuação dos preços;
  • Usa os preços para apresentar a probabilidade de um candidato vencer ou receber certo percentual de votos no dia da eleição;
  • Diferentemente da pesquisa, fornece um incentivo monetário para que a melhor escolha seja feita.

 

Fazendo-se uma análise mais aprofundada no caso eleitoral em 1998 e 2002 pôde-se perceber que as características dos investidores enlouqueceriam qualquer estatístico. Desde o início estavam claro que os investidores não eram uma amostra significativa da população. A maioria eram brancos, sexo masculino, republicano, rico e um alto índice de instrução. Ou seja, a amostra não era balanceada.

 

Estão aparecendo novos tipos de mercado em órgãos governamentais, no meio corporativo e até em hospitais que utilizam mercados para saber quando começam e terminam surtos de gripe em determinado local. Mas os especialistas garantem:
“Os mercados de previsão nunca substituirão os sistemas de monitoramento tradicionais, mas podem fornecer uma fonte eficiente e relativamente barata de informações para complementar os sistemas existentes de monitoramento de doenças.”
E você já se decidiu? Vai fazer uma pesquisa ou abrir um mercado?

 

Leituras Recomendadas:
A sabedoria das multidões – James Surowiecki, editora Record, 2006
Scientific American Brasil – Edição Abril/2008
Information markets: A new way of making decisions - www.aei-brookings.org/admin/authorpdfs/page.php?id=1261
 

 

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